le bois des chambres

A capela

published at 26/10/2022

A capela ocupa a extremidade da ala Leste do Castelo. Ela foi construída, entre 1498 e 1511, por Charles II de Chaumont-Amboise. Nós somos sob o reinado do rei Luís XII.

O prédio é provido de um pequeno transepto e uma abside de três lados, orientada para o Norte. Três grandes janelas em arco quebrado iluminam essa abside e duas outras menores, se abrem sobre um ângulo cortado nos braços do transepto. Sob essas últimas, impera um friso de arcaturas redentadas do século XVI, lembrando a da capela Saint Hubert do Castelo d’Amboise. De cada lado da nave, colunas torsas são ornamentadas com arabescos coroados com conchas.

 

A missa na época dos Broglie
Gabriel-Louis Pringué, escritor e íntimo da família de Broglie, residem regularmente em Chaumont. Ele conta em sua obra intitulada «Trente ans de dîners en ville» (Trinta anos de jantares na cidade): «Todos os domingos, por volta de meio-dia e quinze, de sua cama, a princesa de Broglie telefonava: o padre pode subir ao altar. Nós ouvíamos a missa na capela. Ela, sozinha, da tribuna do quarto de Catarina de Médicis. Ao meio-dia e meia, o padre começava a missa, lançando de vez em quando, um olhar choroso para a tribuna que permanecia vazia. Quando chegava ao evangelho e a tribuna persistia em ficar vazia, o padre dizia lentamente preces santas. Às vezes isso durava uma meia-hora. De repente a gente ouvia os passos trepidantes de saltos altos martelarem o piso dos apartamentos históricos. Um valet levantava a tapeçaria da tribuna, com a princesa ainda despenteada, de camisola e peignoir, enfiada em casaco de zibelina, ele lhe entregava seu pequinês favorito, e em troca recebia seu livro de horas. Ela colocava seus binóculos, anunciava sua presença com uma tosse. O padre, em um sobressalto despertado de suas orações, lançava uma piscadela para a tribuna real. A missa continuava. Um dia, o conde d’Obidos, grande senhor português, familiar de Chaumont, lhe diz: Princesa, você é a única que ousa fazer Deus esperar.»

 

Os vitrais
A realização dos vitrais da capela é o produto de uma colaboração tripla. O arquiteto dos Broglie, Paul-Ernest Sanson, fez pesquisas sobre as origens e a história do Castelo, que ele resume em uma obra manuscrita sob o título de «Os senhores de Chaumont-sur-Loire, notas históricas». Em seguida, o mestre-vidraceiro Georges Bardon é encarregado em março de 1884, da composição e execução dos vitrais segundo as notas do arquiteto. Enfim, o pintor de história Jean-Paul Laurens realiza a pedido de Georges Bardon, com o acordo do casal principesco e consentimento de seu arquiteto, os desenhos a serem reproduzidos. A cooperação desses três profissionais possibilitou a colocação dos cinco vitrais em julho de 1888.
 
O conjunto dos vitrais relata episódios da vida da família Chaumont-Amboise:
> o vitral central representa uma cena do juízo final, na qual foram inseridos diversos personagens que figuram na história de Chaumont, como o cardeal Georges d’Amboise, vestido de vermelho.
> o vitral pequeno a sua direita, representa o cardeal Georges d’Amboise, irmão de Charles I e tio de Charles II. Atrás dele, se encontra seu patrono, São Jorge e abaixo estão reproduzidos os armoriais do cardeal.
> o vitral pequeno a sua esquerda destaca o rei Luís XII. Atrás dele é retratado seu santo padroeiro, São Luís, e abaixo são reproduzidas as armas do rei.